terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Criação e Manutenção de Comunidades de Aprendizagem

Uma comunidade consiste num grupo de pessoas que têm algum interesse em comum – religioso, científico, político, cultural – e que procuram, em conjunto, atingir objectivos semelhantes. As tecnologias de comunicação foram sempre instrumentos importantes para se criarem interesses comuns e, consequentemente, comunidades. O aparecimento das redes de computadores no final da década de 60 (especialmente a invenção do e-mail e a reunião por computador no início dos anos 70) causou um impacto profundo, transformando não apenas as oportunidades tecnológicas como também as possibilidades sociais, revolucionando assim o nosso conceito sobre a habilidade de simular novas comunidades. Comunidades virtuais são diariamente criadas e desenvolvidas em áreas intelectuais, sociais, recreativas, e, especialmente, na educacional. A “Rede”, além disso, causou uma mudança no paradigma educacional, ao dar prioridade à interação social, à aprendizagem colaborativa e às comunidades de aprendizagem.

Interacção Social
Segundo Lévy (1999) e Palloff & Pratt (1999), uma comunidade virtual é formada a partir de afinidades de interesses, de conhecimentos, de projectos mútuos e valores de troca, estabelecidos num processo de cooperação. Elas não são baseadas em lugares e filiações institucionais, muito menos em "obrigações", sejam elas de que tipo for. Um curso não é "concluído" por um aluno, "porque sim". Para que este o conclua é necessário que tenha algum envolvimento, motivação, etc. E esta motivação deve ser bem mais consistente do que uma ordem de um superior. Lévy (1999), afirma que nas comunidades virtuais de aprendizagem, as relações on-line estão muito longe de serem frias, pois não excluem as emoções. Entre os participantes de comunidades virtuais também se desenvolve um forte conceito de "moral social". Uma espécie de código de conduta, um conjunto de leis não escritas, que governam as suas relações, principalmente com relação à pertinência das informações que circulam na comunidade.

Aprendizagem Colaborativa A "moral" de uma comunidade virtual é a da reciprocidade, ou seja, se aprendemos algo ao ler e a trocar mensagens, é preciso também expressar o conhecimento que temos quando uma situação/problema/tema for formulado. A responsabilidade de cada um envolvido no processo, a opinião pública e o seu julgamento aparecem naturalmente no ciberespaço, pois, durante os processos de interacção, os participantes activos constroem e expressam competências, que são reconhecidas e valorizadas de imediato pela própria comunidade.

Comunidade Virtual de Aprendizagem Torna-se bastante importante referir que, se deve garantir a total liberdade de opinião, que deve ser ampla e igualmente distribuída a todos os participantes de uma comunidade, sendo que, as regras que regulam as interacções devem ser construídas na colectividade. Isso não é censura, muito pelo contrário, é o que possibilita o surgimento de novas formas de opinião pública. Comunidades virtuais são como ‘organismos vivos’ e em constante ‘mutação’ e a tendência à dispersão é grande. Este aspecto requer dos moderadores uma atitude atenta.